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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Banana da Terra Recheada com Carne Moída

Banana da Terra Recheada Feita Aqui em Casa 

A BANANA DA TERRA


Nenhuma fruta se compara à importância da banana na Culinária Caiçara. Disponível, simples, versátil e deliciosa, a Banana da Terra é uma das variedades mais utilizadas no preparo de seus pratos e acompanhamentos.



A banana da terra é uma das 100 variedades de banana cultiváveis que existem no mundo. Atinge até 30 centímetros de comprimento e 500 gramas. É achatada e, quando madura, tem a casca amarelo-escura com manchas pretas. A polpa de textura compacta, porém macia, é mais rica em amido do que em açúcar.

Como também ocorre nas bananas comuns, a maturação transforma o amido em açúcares mais simples como a glicose e a sacarose mas na banana da terra tal fato não ocorre na mesma proporção, por isso ela é só ligeiramente doce. Quando verde, pode ser cozida em pratos feitos com peixe ou carne. Fatiada fino, é ótima para fritar. Madura, pode ser usada como vegetal ou ingrediente de sobremesas.


Como Se Escolhe

As bananas da terra têm a casca mais resistente do que as outras, por isso dura vários dias. Se precisar comprar bananas bem maduras, escolha as totalmente amarelas, com riscos pretos grossos. Mas devem estar bem firmes, sem rachaduras nem partes moles, e presas firmemente à base da penca.


Evite as bananas que estiverem magras e inteiramente verdes, pois dificilmente amadurecerão. Em casa, guarde-as em local bem arejado, fresco e seco. Pode-se apressar a maturação embrulhando-as em jornal. 

RECEITA

Trabalhosa de leve | De 5 a 10 porções, depende da fome dos viventes | Uns 30 min com prática.

INGREDIENTES 

5 bananas da terra grandes, grossas e maduras
2 xícaras de carne moída refogada para rechear
2 ovos batidos
2 xícaras de farinha de rosca
Sal a gosto
Óleo para fritar

  • Dica: Você pode substituir a carne moída por carne seca desfiada e refogada. Fica bom demais. Você pode também preparar uma versão doce recheando a banana da terra com chocolate, doce de leite, etc. Aventure-se!

Você Vai Precisar

Panela
Tábua
Faca
Colher de café
Duas vasilhas ou travessa fundas
Frigideira funda
Pegador ou escumadeira
Escorredor coberto com papel absorvente

PREPARO

Lave bem as bananas e, mantendo as cascas, corte-as ao meio.

  • Nota: É legal manter a casca da banana neste início para poder trabalhar melhor na retirada da polpa e na colocação do recheio que vem a seguir.

Com o auxílio de uma colher de café e algum cuidado retire um pouco do centro da polpa onde estão as sementes, abrindo um buraco no qual você colocará o recheio de carne moída. Reserve a polpa que foi retirada, pois será usada adiante.



Retire a casca das bananas, isso é importante lembrar... hehehe e recheie as bananas com a carne moída deixando a entrada do buraco livre (menos de 1 cm), pois é neste espaço que você irá colocar um pouco da polpa reservada para fechar a entrada. Sacou? Isso vai evitar, ou pelo menos dificultar, que na hora de empanar e fritar a banana o recheio saia.



Vamos para o basicão do empanar... Em uma vasilha ou travessa funda bata os ovos e tempere-os com um pouco de sal. Em outra vasilha ou travessa funda coloque a farinha de rosca. Tudo preparado? Então vamos lá!

  • Dica: Se você quiser dar um toque especial rale um pouco de noz moscada e misture com a farinha. Se você misturar com os ovos batidos pode ser que a noz moscada ralada resolva ficar boiando e não dê muito certo.



Agora é a hora daquela farinhada espalhar pela pia, pelo chão e você empanar tanto as bananas, como seus dedos... hehehehe. Passe as bananas pelos ovos batidos e depois pela farinha de rosca tomando cuidado para o recheio não cair.

  • Dica: Na hora de empanar eu uso uma das mãos para passar o que for ser empanado nos ovos batidos e a outra mão para passar pela farinha. Ajuda e organiza o processo e evita que você empane o dedo também e tenha que ficar parando para lavar a mão já crosquenta.

Frite as bananas empanadas, virando-as de vez em quando até que fiquem douradas. Escorra-as em papel absorvente.








Você pode servi-las com aquele seu arroz com feijão, uma salada legal, uma boa farofa feita com farinha artesanal ou uma deliciosa Paçoca de Carne Seca.

Nada melhor que a comida para ir fundo na alma de um povo!

Divirta-se! Delicie-se! 

domingo, 25 de março de 2012

Uma Insólita Fritada de Umbigo



Antes dos - Êêêê moleza, ou dos - Meu Bom Jesus o que vem a ser o fim disto? Peço calma ao visitante... o umbigo é da banana!

O INSÓLITO UMBIGO DA BANANA

Todos conhecemos a banana, uma das frutas mais conhecidas e consumidas no mundo, mas o que poucos sabem é que o umbigo do cacho da banana é comestível. Além de ser um ingrediente saborosíssimo e versátil é muito utilizado para a confecção de xaropes caseiros para asma, tosse e bronquite, só não sei dizer se são eficazes.

O Umbigo da Banana
Crédito da Foto: Cozinha Consciente
 
O Umbigo da Banana é uma das partes do cacho e está localizado em sua parte inferior. É como um pendão, um extremo proeminente que se destaca das pencas e exibe uma coloração arroxeada e uma consistência diferenciada. Quando cozido, temperado e preparado com outros ingredientes tem um sabor espantosamente requintado e, assim como a banana, um alto valor nutritivo.

Quiches, Salada e Pernil com Umbigo de Banana
Uma infinidade de pratos podem ser preparados com o umbigo da banana. Para seu uso culinário é interessante cortá-lo na posição certa, não muito próximo das pencas, cortando apenas o bastante para se retirar o cone arroxeado do cacho de bananas ainda verdes. Esse jeito de cortar favorece seu e, por forçar o fluxo da seiva, favorece também o amadurecimento do próprio cacho.

Do cacho já maduro, não se consegue aproveitar o umbigo da banana, que perde seu viço e fica escurecido, impossibilitando seu uso culinário ou medicinal. Mesmo assim, ainda pode-se aproveitá-lo como adubo.

RECEITA

INGREDIENTES

1 umbigo de banana
6 ovos
Pimenta do reino branca e sal a gosto
Óleo ou manteiga para fritar

Você Vai Precisar
Uma panela para aferventar as tiras de umbigo de banana
Uma vasilha para bater os ovos e misturar
Uma frigideira ou omeleteira
Um escorredor

PREPARO

Preparando o Umbigo de Banana

Apanhe um umbigo de banana. Desfolhe-o retirando as primeiras camadas mais grossas até chegar à parte mais macia. Lave bem e corte-o em tiras finas.

Crédito da Foto: Cozinha da Crala

Coloque as tiras no fogo para ferver em água com um pouco de sal. Quando lavantar a fervura, retire do fogo, escorra e repita este procedimento por mais 2 vezes. Escorra e reserve.

Dica: A partir deste ponto o umbigo de banana está pronto e pode ser refogado e utilizado em recheios de pasteis, bolinhos, croquetes, tortas, quiches, empadas e lasanhas, em um belo risoto, misturado a bacalhau desfiado ou a carne moída, acompanhando lingüiça, costelinha de porco, pernil e por aí vai. Inventa aí que vai ficar bom!

Preparando a Fritada

Bata meia dúzia de ovos inteiros. Misture o umbigo reservado, acrescente uma pitada de pimeta do reino branca e corrija o sal.


Frite a mistura como um omelete. Com um garfo vá desgrudando as bordas, e
mexa a frigideira constantemente sobre a chama, para evitar que a fritada grude. Quando a base da fritada estiver dourada vire-o.

Dica: Você pode preparar a mistura aos bocados, como bolinhos, em uma frigideira funda com óleo bem quente.

Deixe escorrer em papel absorvente e sirva com arroz e uma saladinha caprichada.

Experimente e Delicie-se!

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A Versátil Paçoca de Carne Seca




A Paçoca de Carne Seca é um prato de origem indígena – pa`soka em tupi - eles tinham o costume de fazer a paçoca misturando farinha de mandioca com outras sementes, raízes, carnes e temperos. Devido a sua praticidade, durabilidade, fácil transporte, versatilidade e sustância a paçoca foi muito utilizada também por bandeirantes, tropeiros, garimpeiros, etc., que a guardavam em cestos, baús e embornais e a levavam em suas viagens e aventuras e, desta forma, se difundiu por todo país.

Assim como a farinha de mandioca, a carne seca era tão importante nessa época colonial que o dito popular “Estar por cima da carne seca” significava estar bem de vida, em uma situação próspera.

Até hoje os pilões podem ser ouvidos preparando a paçoca em comunidades indígenas, quilombolas e caiçaras, onde é apreciada com banana fresca ou com banana da terra cozida, e ainda como uma farofa encorpada que pode acompanhar diversos pratos típicos.


Crédito da Foto: Sabores de Mato Grosso

RECEITA

Dá um trabalhinho, mas é fácil | cerca de 1 hora | 8 a 10 porções.

INGREDIENTES

1kg de carne seca
Um eito (certa quantidade) de farinha de mandioca artesanal (manema, branca, etc.). O quanto baste para dar o ponto.
1 maço de cheiro verde
1 cebola picada
2 dentes de alho picados
1 pimenta vermelha fresca (dedo de moça)
1 colher de sopa de gengibre ralado, se você gostar
1 xícara de óleo

Você Vai Precisar

1 panela de pressão
1 frigideira
1 panela de ferro
1 pilão de madeira e 1 mão de pilão pesada e arredondada nas pontas.

PREPARO

Dessalge a carne deixando-a de molho de um dia para o outro, trocando a água de vez em quando.

Corte a carne em cubos não muito grandes e cozinhe em uma panela de pressão por uns 20 minutos.

Acrescente a cebola, o cheiro verde e a pimenta vermelha sem as sementes. Coloque numa frigideira com uma colher (sopa) de óleo e refogue. Reserve.

Escorra bem a carne seca e frite-a em uma panela de ferro até ficar bem torradinha. Quando estiver bem frita jogue os temperos refogados e mexa. Desligue o fogo e reserve.

Jogue um punhado de farinha de mandioca no pilão, alguns pedaços de carne seca misturada aos temperos, mais um punhado de farinha e vá pilando (socando).

É uma foto bonita, mas não a use como
referência na hora de socar a paçoca.
Crédito da Foto: Encantos do Serrado

Dica: Nem todo mundo tem um pilão, certo?  Então você pode fazer a paçoca em um processador ou em um liquidificador usando a função pulsar. Quebra o galho! Você não tem desculpas para deixar de se deliciar com essa paçoca.

À medida que a carne desfia e se mistura a farinha, coloque mais carne e mais farinha. Prove a consistência da paçoca para que não fique nem muito molhada, nem muito seca (tá fácil heim?!). O ponto ideal é quando está úmida e a carne bem desfiada.

Sirva com banana fresca, banana da terra cozida ou assada, ou ainda como acompanhamento, na função de uma farofa.

Dica: Dura um bom tempo fora da geladeira em uma lata ou vasilha fechada e bastante tempo dentro da geladeira, podendo ser congelada também.


Divirta-se!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O Surpreendente Azul Marinho

Crédito da FotoViagem e Sabor

Viva a Herança Gastronômica!

O Caiçara absorveu muito da cultura indígena como o hábito de utilizar a banana em sua alimentação. O curioso e delicioso Azul Marinho nasceu da necessidade de se alimentar bem e da abundância dos ingredientes utilizados em seu preparo. O prato é um clássico da Cozinha Caiçara apreciadíssimo dentro e fora das regiões caiçaras tradicionais e é um dos bons exemplos da criatividade e da capacidade do Caiçara em utilizar tudo que tem disponível em seu entorno para desenvolver uma culinária autentica e saborosíssima. 


Dificuldade média | 1 hora de preparo | 4 porções

INGREDIENTES

1 kg de um peixe salgado/seco (tainha, bagre, etc.) ou de um peixe fresco e firme como garouparobalo ou pescada amarela cortado em postas largas de cerca de 3 cm.
5 bananas nanicas ou da terra bem verdes.
2 colheres de sopa de azeite.
½ xícara de chá de cebola picada.
3 dentes de alho picados.
1 xícara de tomate sem pele e sem sementes cortados grosseiramente.
2 colheres de sopa de coentro picado. Se tiver, prefira sempre o coentro de folha.
2 colheres de sopa de cheiro verde picado.
10 folhas de alfavaca.
¼ de xícara de farinha de mandioca.
Sal a gosto.
Pimenta malagueta ou aquela que você tem aí, a gosto.

Dica 1: Se você quiser incrementar pode acrescentar 400 g de camarão.
Dica 2: Se for utilizar peixe seco/salgado, fica a dica do nosso amigo Cesar "Periquito": - "...O peixe seco era a base da alimentação dos pescadores por conta da ausência de gelo nos tempos passados e o que dá o toque é o processamento da "secura" do peixe. Se o peixe for um bagre seco fica melhor ainda e mais azul..." 

Você vai Precisar

1 Panela de ferro grande com tampa.

NotaVocê também pode fazer o Azul Marinho em uma panela de barro, mas há que diga que o verdadeiro Azul Marinho é feito em panela de ferro, pois propicia a formação de mais pigmentos azulados, já que os taninos se ligam fortemente aos derivados do ferro.

PREPARO

Tempere o peixe com sal e reserve.

Descasque a bananas e corte-as de comprido, ao meio. Alguns preferem manter as bananas com a casca e cozinhá-las cortadas em quatro, no sentido do comprimento e depois na metade. Defendem que são as cascas que liberam mais tanino aumentam assim a coloração azulada que dá o nome ao prato.

Dica: Se descascar as bananas, coloque-as de molho em água fria para que não escureçam. Se não for descascar, lave bem as bananas.

Coloque a panela de ferro no fogo e aqueça o azeite. Refogue a cebola e o alho. Junte os tomates, adicione o sal e metade do coentro. Misture bem.

Fazendo o Azul Brotar das Bananas Verdes

Retire as bananas da água fria, acrescente-as ao refogado e cubra tudo com a água onde estavam as bananas. Verifique o sal e cozinhe até as bananas ficarem macias. Retire as bananas da panela e reserve-as.

NotaO caldo do peixe, bem como todos os componentes do cozido, apresentam um tom azulado, por conta da banana verde. Neste estágio, a banana é rica em uma substância chamada tanino. O tanino, ao ser liberado durante o cozimento se associa às proteínas do peixe formando um composto de cor azul.

Preparando o Peixe

Se você está utilizando o peixe seco/salgado. Dessalgue-o com antecedência. Se estive usando peixe fresco, coloque as postas de peixe na panela e, se estiver meio seco, adicione mais de água. Junte metade do cheiro verde, as folhas de alfavaca e cozinhe por uns 10 minutos ou até o peixe ficar macio. Separe os peixes e o caldo do cozimento e reserve-os em vasilhas separadas mantendo, principalmente o peixe, aquecido.

Nota: Pode parecer que separar as partes principais (banana, peixe e caldo) do prato é trabalhoso e até desnecessário, mas talvez não seja. O peixe e a banana tem tempos diferentes de cozimento e, ainda por cima, este tempo varia conforme o tipo de peixe utilizado, a espessura da posta, o tamanho e o quão verde está a banana. Sendo assim, se forem preparados juntos, eles correm o risco de cozinharem demais ou de menos e a coisa toda desandar, por exemplo, a banana ficar dura e o peixe desmanchar.

Com mais prática você saberá avaliar os ingredientes e saber o momento certo de acrescentar o peixe e a banana para cozinharem juntos, podendo fazer este prato numa toada só e terminar o cozimento correto dos dois ao mesmo tempo. Quase um estado de arte, mas chegaremos todos lá!

Fazendo o Pirão


Crédito da Foto: Receitas IG

Com um garfo amasse a maioria das bananas na panela (guarde algumas para a montagem final do prato) e vá acrescentando parte do caldo do cozimento do peixe (guarde um tanto de caldo para a montagem final do prato) até conseguir um pirão cremoso. Adicione o restante do coentro e do cheiro verde e misture. Leve a panela ao fogo e vá acrescentando a farinha de mandioca aos poucos, mexendo sempre para não empelotar e para não grudar no fundo da panela, até conseguir uma consistência um pouco mais mole do que você gosta (leia a dica abaixo). Retire do fogo e corrija o sal.

Dica: A farinha de mandioca continua absorvendo o líquido mesmo depois de você ter finalizado o pirão deixando-o um pouco mais consistente.

Montando o Prato

Em uma travessa ou panela de barro, coloque o pirão, cubra-o com as postas de peixe, junte as bananas restantes (corte-as em pedações ou coloque-as inteiras, você é quem manda) e acrescente o restante do caldo. Está pronto!

Sirva com arroz branco e aquela sua pimentinha!

Divirta-se!
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