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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Bolinho de Marisco Branco com Farinha de Mandioca


Crédito da Foto: Rio de Janeiro a Dezembro

Vizinho da Pegoava e da Tatuíra, o Marisco Branco é um molusco bivalvo (tem duas conchas) que vive enterrado na areia, habitando a zona entre marés de nossas praias a aproximadamente 100 mil anos. Eles podem viver até os 9 anos atingindo o tamanho médio de 8 cm. Os maiores podem chegar a ter até 10 cm.

O Marisco Branco
(
Mesodesma mactroides)
Crédito da Foto: Image Bank BR

Os Mariscos Brancos tem pés bem desenvolvidos e fortes, capazes de cavar rapidamente e se enterrar na areia a uma profundidade entre 5 e 15 cm, podendo chegar até 30 cm dependendo do seu tamanho e da compactação da areia.

Eles se alimentam de plânctons e de uma grande diversidade de material particulado suspenso na água, além de ingerirem o material que está sedimentado na areia onde habitam. Ali enterrados, eles conseguem seu alimento filtrando a água que eles movimentam dentro dos túneis que formam na areia.

Crédito do VídeoMarcio Idalino

Os Mariscos Brancos podem ser encontrados desde a região da Ilha Grande, no litoral do Rio de Janeiro, até a área da Bahia Blanca na Argentina. Entre os meses de dezembro e fevereiro podem ser encontradas suas maiores concentrações chegando a até 8.500 indivíduos/m² em algumas praias sortudas. Eles se reproduzem e desovam mais intensamente na primavera e mais suavemente no verão.
Mapa de distribuição do Marisco Branco

Como não gostam da água doce misturada à água salgada e nem de águas com muita matéria orgânica, eles raramente são encontrados nas regiões das praias mais próximas a desembocadura de rios ou de cursos de água da chuva.

O Marisco Branco está cada vez mais raro nas áreas mais populosas do litoral onde tem sido intensamente coletados para a alimentação ou para servir como isca para pescarias. Seu "sumiço" também se deve, entre outros fatores, a poluição da areia e das águas, e até ao pisoteio dos mariscos mais jovens nas praias mais frequentadas. Infelizmente, tudo isso causado por nós mesmos.

Disponível, saboroso e útil como isca e adorno, o Marisco Branco foi naturalmente incorporado ao cardápio e a cultura caiçara. Entre uma variedade de preparos do Marisco Branco, segue abaixo uma receita deliciosa.

Referências Bibliográficas: 1. Tese de Mestrado “Aspectos da Dinâmica Populacional do Marisco Branco em Praia Arenosa Exposta do Rio Grande do Sul” - Paulo Eduardo Aydos Bergonci – PUCRS - 2005 - 2. “Filogeografia Comparada e História Evolutiva da Planície Costeira Sul e Sudeste do Brasil” – Fernanda Britto da Silva – UFRS – 2007.

RECEITA

Fácil | Rende 30 porções

INGREDIENTES

1 kg de mariscos brancos com casca
Pimenta a gosto
Sal a gosto
Tempero verde a gosto: cebolinha, salsinha, coentro de folha larga e alfavaca
Farinha de mandioca artesanal
Óleo para fritar

Variação: Você pode substituir o marisco branco, pelo marisco das pedras ou do mangue, pegoavas, ostras e até vongoles. Crie!

Importante: Somente compre ou colete Mariscos Brancos que tenham mais do que 5 ou 6 cm. Mariscos deste tamanho já estão em sua fase adulta. Deixe os menores na praia para que cresçam, reproduzam e continuem repovoando as praias.

Você Vai Precisar

Uma Panela Grande
Uma Vasilha/Bacia
Uma Frigideira ou Tacho
Um Escorredor e Papel Absorvente


PREPARO

Lave os mariscos em água corrente e descarte os que estiverem abertos.

Coloque-os em uma panela grande e cozinhe-os em água temperada com parte do tempero verde e um pouco de pimenta. Se algum marisco não abrir descarte-o.

Quando estiverem prontos (abertos e cozidos) escorra-os e reserve tanto os mariscos como a água. Espere até que esfriem um pouco.

Os mariscos cozidos são delicados e podem se quebrar ou desmanchar. Retire com cuidado os mariscos das cascas e coloque-os em uma vasilha.

Crédito da FotoPhotl - Stock Photography 

Em uma panela coloque os mariscos sem casca, adicione os temperos verdes, uma parte do caldo do cozimento dos mariscos e vá acrescentando a farinha de mandioca aos poucos. Misture os ingredientes com cuidado até dar liga, corrija o sal e acrescente aquela sua pimenta preferida a gosto.

Dica 1: Se quiser dar mais sabor à massa, ferva a água do cozimento dos mariscos que está reservada, reduzindo seu volume e concentrando seu sabor.

Dica 2: Como você leu lá encima, o Marisco Branco vive na areia. Ao cozinhá-lo ele abrirá e soltará a areia que estiver dentro dele.  Certifique-se de não colocar acidentalmente esta areia ao utilizar o caldo do cozimento para compor a massa.

Com a massa pronta, forme os bolinhos, frite-os em óleo bem quente, deixe-os por um momento em um escorredor forrado de papel absorvente.

Sirva-os em seguida com um pouco do caldo do cozimento do marisco em um potinho, aquela sua pimentinha e um limão cortado.


Crédito da Foto: A Notícia - Jessé Giotti

Divirta-se!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O Famosão Marisco Lambe-Lambe

Crédito da Foto: Prefeitura de Caraguatatuba 
O Lambe Lambe é um prato caiçara famoso, simples e delicioso, preparado e apreciado por quase todo o litoral desse nosso imenso país. Precisar sua origem não é fácil, mas é um exemplo perfeito da mistura entre os hábitos de colonizadores portugueses, de indígenas e até de piratas espanhóis que já tinham o costume de cozinhar arroz com frutos do mar. É isso aí...Preparar um prato caiçara é como colocar a mão na história. 

Imaginar a combinação de ingredientes é fácil... Os mariscos já estavam lá no mangue ou nos costões há alguns milênios, os temperos já eram cultivados ou colhidos pelos indígenas, já o arroz foi introduzido e cultivado, em particular no Litoral Sul paulista, vindo inevitavelmente a fazer parte da dieta caiçara. 

Um Parênteses Sobre o Arroz de Iguape 

O arroz foi introduzido na região do Rio Ribeira de Iguape em meados do século XVIII e final do século XIX. Era tão bom e apreciado que em abril de 1911 o Município de Iguape, representando o Brasil na Primeira Exposição Internacional de Turim na Itália, conquistou o Diploma de Honra Internacional de Melhor Arroz do Mundo. O ciclo do arroz de Iguape vale uma postagem especial. 

Diploma de Honra de Melhor Arroz do Mundo Recebido pelo Município de Iguape-SP 

Crédito da Foto: Luciano Faustino

Naquela época, o cultivo do arroz era feito em grandes fazendas e também por famílias em inúmeras pequenas propriedades. Ainda hoje, em algumas propriedades, comunidades tradicionais caiçaras e quilombolas, podemos encontrar o arroz sendo plantado após a coivara (preparação do terreno), com a ajuda do chuço (uma vara pontiaguda) e colhido a canivete. 

Depois de colhido, o trabalho de “batimento” do arroz é transformado em festa quando o proprietário convida seus vizinhos para, ao som dos tambores e rabecas, dançar o Fandango por cima dos cachos de arroz para debulhá-los... histórias para outras postagens.

No Lambe Lambe o arroz é bem temperado e cozido com o marisco ainda na casca. Durante o cozimento os mariscos se abrem soltando seu delicado sabor, enquanto o delicioso arroz invade e preenche as conchas resultando num prato maravilhoso. O Lambe Lambe se come com as mãos e vamos lambendo as conchas para retirar dali o arroz e os mariscos. É de lamber os dedos e tirar qualquer "aiveza" do vivente... Desta forma de comê-los vem o nome do prato.

Fontes: Iguape... Nossa História – Roberto Fortes / Falares Caiçaras, Enciclopédia Caiçara, Vol 2. - Paulo Fortes Filho e Cultura Caiçara - Antonio Carlos Diegues, antropólogo, Nupaub – USP.

A RECEITA

Facilzinho| 1 hora | 4 a 6 pessoas

INGREDIENTES

1 kg de mariscos frescos, grandes e com casca
2 xícaras de arroz branco cru
Umas 4 xícaras de água fervente ou de caldo de legumes, se preferir
½ xícara de azeite ou o quanto baste
3 dentes de alho socados
2 cebolas picadas
4 tomates maduros picados
1 pimenta dedo de moça sem semente picada
2 xícaras de salsa, cebolinha, coentro e alfavaca picados juntos


Opções: Você pode acrescentar um pimentão sem pele picado de qualquer cor, ou uma xícara de pimentões de várias cores; você também pode colocar 1 garrafa, ou 2 latas de cerveja, ou ainda uns 500 ml de vinho branco seco na hora de colocar a água ou o caldo de legumes; Acrescente alguns camarões e deixe o negócio chique... Você que manda!

Dica 1: Os melhores mariscos, na verdade os menos trabalhosos, são os do mangue. Para distinguir os mariscos de mangue dos do mar basta observar as cascas. Os mariscos do mar têm as cascas cheias de cracas (que parecem pequenos vulcões), enquanto que os de mangue têm a casca lisa.

Marisco das Pedras
Crédito da Foto: HGomes - Fotodependente

Dica 2: Para limpar os mariscos do mangue é só lavar bem a casca, com uma esponja limpa. Já para limpar os mariscos de mar raspe bem as cascas retirando todas as cracas. Elas podem trazer do mar algumas impurezas que podem contaminar e amargar o prato, além prejudicar sua apresentação e consumo. 

Mariscos e a tal da Craca
Crédito da Foto: Tertúlia de Sabores

Dica 3: Ao comprar ou coletar os mariscos preste atenção. Os mariscos, assim como as ostras, entre outros moluscos, se alimentam filtrando a água onde vivem. Se a água estiver poluída, o marisco muito possivelmente estará contaminado. Os mariscos bons devem ter cheiro de água do mar e as cascas devem estar fechadas. Se o marisco já estiver aberto é sinal que já está morto e começando a se deteriorar. Descarte-os, assim como os que estiverem com a concha quebrada.

Nota: O marisco, tanto no mangue como nas pedras, vive em uma área entre marés e é capaz de permanecer vivo por um bom tempo mesmo fora da água. Na natureza com a maré baixa ele se enche de água, fecha suas conchas e assim se mantém vivo até a próxima maré cheia.

Você vai Precisar

Uma panela grande com tampa.

PREPARO

Antes de limpar os mariscos deixe-os imersos por cerca de 2 horas em bastante água limpa para que solte a areia que geralmente há dentro deles, trocando de água umas duas vezes. Se algum marisco abrir a casca neste processo, descarte-o. Escorra-os e limpe-os bem tirando toda a "barba" e escovando a casca. Se tiverem cracas remova-as raspando com uma faca pequena. Reserve.

Dica: Outra forma de limpar os mariscos é lavá-los bem em água corrente, esfregá-los e depois colocá-los em um recipiente com água e limão espremido. O limão ajuda a fazer o marisco expelir a areia. 


Em uma panela grande, aqueça o azeite, acrescente o alho, depois a cebola e refogue. Acrescente os tomates, o pimentão (se você escolheu usá-lo). Misture tudo e refogue por alguns minutos.

Coloque o arroz e refogue até perceber que ele está bem seco, acrescente a água ou o caldo de legumes. Se for utilizar a cerveja ou o vinho branco, essa é a hora de colocá-los. Quando começar a ferver abaixe o fogo e coloque os mariscos. Acrescente a maior parte dos temperos verdes reservando um pouco para finalizar o prato. Mexa com muito cuidado somente para misturar os ingredientes. Mexer demais pode soltar os mariscos das conchas.


Deixe cozinhar até que o arroz fique mole e úmido. Se algum marisco não abriu, descarte-o. Coloque o restante dos temperos verdes que você reservou, um pouco de azeite e misture com muito cuidado. Tampe a panela e deixe descansando por uns 5 min. Logo depois, sirva.

Crédito da FotoExpedição Massaguaty

LAMBUZE-SE !

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