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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Aquela Manjubinha Frita Que Alegra Ainda Mais Nosso Bate Papo


 Crédito da Foto: Pescadinho

Na simplicidade da saborosa manjubinha frita repousa sua força e sua mítica. Ela é quase um marco representativo do mundo intuitivo, honesto, marcante e delicioso dos petiscos simples. A básica manjubinha, junto a outros quitutes lendários, forma um contraponto ao mundo pretensioso e muitas vezes árido dos acepipes sofisticados. Mooooleza! 

Fácil, rápida, simples e quase viciante, a manjubinha frita é um dos maravilhosos petiscos de DNA Caiçara que acompanham muito bem uma gelada para molhar a palavra num prazeroso papo com os amigos. Simples assim!

RECEITA

Fácil | 1 porção | Uns 30 minutos.

INGREDIENTES

1 kg de manjubas frescas e inteiras
Suco de 1 limão galego ou cravo
1 xícara de farinha de trigo
1 xícara de fubá (opcional)
1 punhado de alfavaca e coentro de folha picados
Sal a gosto
Óleo para fritar

Crédito da Foto: Clube dos Colaboradores
Dica: A manjuba é um peixe bem sensível, verifique se a manjuba está realmente fresca. O corpo deve estar branquinho e firme, os olhos brilhantes e as guelras vermelhas.

Você Vai Precisar
Frigideira alta para fritar
Duas vasilhas ou travessa fundas para temperar e empanar
Pegador ou escumadeira
Escorredor coberto com papel absorvente

PREPARO

Lave as manjubas e coloque-as em uma vasilha funda. As manjubas vão ser preparadas inteiras.

Crédito da Foto: Um Pouco de Tudo
Tempere-as com o suco do limão, o sal, a alfavaca e o coentro. Deixe marinar por uns 15 minutos.

Deite (minha Vó Antoninha escrevia assim em suas receitas) a farinha de trigo e o fubá em outra vasilha funda e misture bem. Quando você achar que as manjubinhas já pegaram bem o gosto dos temperos, comece a empaná-las. Sacuda-as para retirar o excesso de farinha e reserve.

Crédito da Foto: Um Pouco de Tudo
Dica 1: Como a manjuba é um peixe pequeno, você pode empaná-las remexendo-as com as duas mãos pela farinha, ou coloque a farinha e o fubá dentro de um saco plástico. Coloque as manjubas neste saco e chacoalhe bem. A farinha vai cobrir muito bem todo o peixe.

Dica 2: A mistura de farinha de trigo e fubá vai dar uma cor mais bonita e uma crocância maior as manjubinhas. Você também pode utilizar só a farinha de trigo ou só o fubá. Arrisque-se e seja feliz!

Frite as manjubinhas virando-as até que estejam douradas. Estando em um ponto que você ache legal, coloque-as em um escorredor com papel absorvente.

Dica: As manjubas vão ser fritas em imersão. Daí usar uma frigideira funda e colocar óleo suficiente para cobrir pequenas porções do peixinho. Elas devem fritar lado a lado e não uma encima do outra. Sacou?

Sirva-as imediatamente, acompanhadas de limão e daquela sua pimentinha. Alguns gostam de deixar a disposição um vidro de shoyu. Muito shoyu encobre o sabor delicado do peixe, mas fica bom também.

Dicas Importantíssimas: Como as manjubas foram preparadas inteiras, ao comê-las talvez você prefira retirar as cabeças. Alguns as comem inteiras. Alguns as preferem mais "limpas". Anos de prática e observação apurada resultaram nestas técnicas para devorá-las sem espinha:

Torce e Puxa: Com uma das mãos segure o corpo do peixe e com a outra o rabo, torça com cuidado o corpo para um lado e o rabo para o outro. Isso fará a espinha se soltar da carne. Ainda segurando o corpo, puxe delicadamente o rabo. Se a técnica for executada com extrema perícia a espinha sairá inteirinha.

Aperta e Puxa: Com um dedo na região dorsal e outro no região ventral, aperte de leve o peixe. Naturalmente a carne se soltará da espinha. Segurando o corpo, puxe o rabo. Se a técnica for executada com maestria a espinha sairá inteirinha.

Seu prêmio por este trabalho extra: No espaço onde estava a espinha, esprema o limão, coloque a pimenta ou tasque o shoyu. Delicie-se!

Quase! Treine, a prática leva a perfeição!
Crédito da Foto: Vicente Suzuki
Divirta-se!

quinta-feira, 15 de março de 2012

A Saborosíssima Caldeirada de Caranha - Receita Passo a Passo


UMA HOMENAGEM AO DIA DO CAIÇARA!
A caldeirada é prima-irmã das moquecas e de inúmeros outros cozidos encontrados pelo mundo todo. Geralmente as caldeiradas são feitas com peixes e frutos do mar, mas também podemos encontrar caldeiradas de carneiro (na África), entre outras carnes comerciais e até de carnes de caça. Alguns dizem que a caldeirada teve origem no Japão onde se prepara um cozidão de frutos do mar ou carnes em uma panela grande de barro, outros afirmam que o prato vem de países banhados pelo Mediterrâneo.

Crédito da Foto: Sérgio Vale/Secom - Apiwtxa
Vejo a caldeirada, como a conhecemos por aqui, como uma mistura entre a culinária dos índios Tupi-Guarani e a dos colonizadores. Os índios que habitavam o litoral cozinhavam peixes e frutos do mar em suas panelas de barro, temperados com uma mistura de ervas, pimenta e sal de cinzas, para daí fazer o pirão com farinha de mandioca. Já os colonizadores cozinhavam peixes e frutos do mar com azeite, temperos verdes, cebolas, alho e batatas. O Caiçara viu e experimentou isso tudo e foi desenvolvendo sua versão da caldeirada ao longo do tempo.

Seja qual for sua origem, a caldeirada é um prato bom demais, fácil de fazer e com uma imensa flexibilidade com relação aos ingredientes. Deve ser por isso que ela é tão difundida.

Deliciosa, simples, prática e rústica, a caldeirada geralmente é um prato grande e bem servido, sendo assim, capaz de reunir amigos e familiares para devorá-la com um bom bate papo, alegria e amizade. É aí que mora sua mística e carisma, não dá para preparar e comer uma boa caldeirada sem aquele clima de casa cheia e alegria. Quando estiver triste e sozinho vá ao McDonalds e peça um McFish! Brincadeira... Hehehehehe

Crédito da Foto: Alana Paganucci - Ilha das Compras
A caldeirada é marcada pelo frescor de ingredientes locais. Sendo assim, você pode fazer uma infinidade de caldeiradas que variam conforme os ingredientes que você pode encontrar aí na sua região, nas várias épocas do ano. Crie e divirta-se! Basicamente pegue um panelão, um peixe bacana, alguns frutos do mar e temperos, tudo bem fresquinho e mãos a obra!

Como dizem aqueles vendedores de rua, a caldeirada quase não requer prática, nem tão pouco habilidade. Precisa sim é de certa noção de combinação e harmonia entre os ingredientes e um pouquinho de intimidade com o fogão. Não tem como errar!

Para fazer essa receita eu estava com a casa cheia de amigos e parentes, tinha a mão uma caranha maravilhosa, alguns camarões fresquinhos, uma garrafinha de cataia, cerveja bem gelada e pronto!... Precisava mais?


SOBRE A CARANHA

Crédito da FotoCoral Reef Fish
A Caranha (Lutjanus cyanopterus) tem a carne firme e saborosa, um corpo forte e alongado, com a cabeça e a boca grandes. Muito voraz, uma de suas principais características é a presença de dentes caninos que ajudam na captura dos peixes, camarões, caranguejos e ouriços com os quais se alimenta.

A Caranha pode ser encontrada em quase todo o Oceano Atlântico Oeste, do Canadá ao Paraná, onde vive a maior parte do tempo em profundidades até 60 metros. Durante o dia costuma ficar entocado, saindo à noite para se alimentar. Os adultos preferem habitar os costões rochosos, as ilhas oceânicas e as áreas de recife de coral. Os indivíduos jovens podem ser encontrados em manguezais e estuários onde formam grandes cardumes. Ás vezes se misturam a cardumes de outros peixes.

É um peixão que pode alcançar cerca de 1,5 m e pesar até 75 kg. O recorde brasileiro para sua pesca esportiva é de 55,11 kg e para a pesca submarina da espécies é de 71,5 Kg, registrado em 1978 na ilha de Toque Toque, no litoral norte de São Paulo.

Crédito da Foto: Museu de História Natural da Flórida
A espécie (Lutjanus griseus) também é conhecida como caranha, porém é bem menor, alcançando 65cm e 8kg.


RECEITA


INGREDIENTES

3 kg de Caranha em postas
1 ½ kg de camarões médios limpos
6 cebolas roxas fatiadas
4 dentes de alho amassados
8 tomates maduros cortados em cubos
Mix de pimentões em tiras – 1 verde, 1 amarelo e 1 vermelho
Um punhado generoso de folhas de alfavaca picadas
Um bom punhado de coentro de folha larga picado
2 limões cravo ou galego
Sal e pimenta a gosto

Você Vai Precisar
Uma panela grande. Será muito legal se for de barro. Eu usei uma paelleira.
Tábua, faca bem amolada e um monte de vasilhinhas para os ingredientes.

PREPARO

Não se afobe! Prepare com antecedência todos os ingredientes e deixe-os organizados e a mão, separados em vasilhas individuais. Tem até nome bonito para isso... "mise en place" (lê-se misamplace), termo francês para a preparação e disposição prévia de todos os ingredientes e instrumentos que utilizamos para cozinhar ou para comer.

Crédito das Fotos: Cozinha da Matilde 
Com tudo picado, fatiado, limpo e organizado vamos lá! Tempere as postas de caranha com o limão cravo e sal. Coloque a panela para esquentar, abra uma cervejinha e observe como ficaram os preparativos. Que maravilha! Hehehehe


Na panela quente coloque um tanto de azeite e acrescente as cebolas fatiadas, o alho amassado, o mix de pimentões em tiras, a alfavaca e o coentro de folha picadinhos, e os tomates em cubos. Deixe pegar um calor e comece a refogar misturando os ingredientes.

Quando os sabores deste “fundo” estiverem bem mesclados (sempre prove o que você está fazendo) com a cebola transparente, o tomate começando a desmanchar e os pimentões amolecidos. Abra outra cervejinha e sirva-se de uma cataia por que o negócio vai começar a ficar legal.



Acrescente as postas de caranha acomodando-as lado a lado. Não gosto de “empilhar” as postas por isso usei uma paelleira que é larga e baixa. Deixe o fogo trabalhar e só misture os temperos com o peixe depois que o lado em contato com o molho começar a cozinhar.



Vire as postas da caranha, misture com cuidado e deixe o fogo trabalhar.



Quando o peixe estiver com os dois lados da posta esbranquiçados pelo cozimento e já absorvendo o molho, adicione os camarões e corrija o sal. Abra outra cerveja e observe os camarões começarem a avermelhar.


Misture os camarões com o molho evitando mexer muito nas postas da caranha. Prove e corrija o sal se necessário. Sirva-se de outra cataia e, sem tirar o olho da caldeirada, comece a fazer o arroz e a salada.



Verifique se o peixe e o camarão estão cozido e macios... Tudo legal? Está pronta!

Sirva com arroz branco, salada verde com palmito, aquela pimentinha e um pirão feito com o molho da caldeirada e uma boa farinha artesanal.

Delicie-se!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Moqueca de Manjuba



Crédito da Foto: Laboratório de Notícias

Dá um trabalhinho, mas é fácil | 1 hora | 15 moquecas

INGREDIENTES



Crédito da Foto: Fina Finesse

1 kg de filés de manjuba. (cada kg de manjuba rende cerca de 250g de filé).
Suco de um limão.
5 tomates picados. (se quiser tire a casca e as sementes)
1 cebola grande picada.
1 xícara de alfavaca, salsinha, cebolinha e coentro picados e misturados.
1 pimenta dedo de moça ou 3 de cheiro picadas (se quiser menos ardida retire as sementes).
½ kg de farinha de mandioca artesanal (granulada e branca).
Sal a gosto.

Dica: Se você quiser incrementar acrescente um bom punhado de camarões descascados, ou ostras, mariscos, saguaritás, pegoavas... Invente aí! Vai ficar bom. Pode ter certeza!

Você vai Precisar

Um braseiro
4 ou 5 folhas de bananeira sem o talo, cortadas em quadrados, lavadas e sapecadas para que fiquem flexíveis.
Barbante, fibras de bananeira ou qualquer fibra vegetal.
1 vasilha grande.

PREPARO

Coloque os filezinhos em uma vasilha e tempere-os com sal e o suco do limão e reserve.

Junte os tomates, a cebola, os temperos verdes e a pimenta aos filés. Misture bem e deixe pegar o gosto.


Crédito da Foto: Come-se

Misture a farinha aos poucos mexendo devagar para não quebrar os filés. Com uma colher, coloque uma porção (umas 200g) sobre os quadrados de folha de bananeira e embrulhe como se embrulha um presente. Amarre o pacotinho com a fibra da bananeira, o barbante ou qualquer fibra vegetal.


Crédito da Foto: Come-se

Asse os pacotinhos sobre uma grelha no braseiro por 30 ou 40 minutos, virando-os de vez em quando até que a mistura fique firme. A ideia é conseguir uma casquinha crocante por fora e uma mistura úmida por dentro.


Crédito da Foto: Come-se

Dica 1: Está sem churrasqueira e sem folha de bananeira? Não se abofe! Você também pode preparar essa moquequinha maravilhosa no forno a gás que você tem aí: 1. Coloque a mistura em um refratário untado com azeite ou manteiga; 2. Cubra com papel alumínio e leve ao forno por aproximadamente 40 minutos; 3. Retire o papel alumínio e deixe no forno até dourar.

Dica 2: Se você tem a folha de bananeira, mas não tem a churrasqueira, não tem desculpa! Faça a moqueca na chapa. Fica bom também!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O Básico Sobre Peixes

Crédito da Foto: Vladimir Zakharov


A idéia deste tipo de post é familiarizar os visitantes com os ingredientes utilizados na cozinha caiçara. Para cozinhar bem os simples e deliciosos pratos caiçaras, ou outra coisa qualquer, você deve desenvolver pelo menos duas coisas: seu conhecimento sobre os ingredientes que irá utilizar e suas habilidades técnicas de cozinha.

O caiçara veio aprimorando este conhecimento e suas habilidades ao longo dos anos e foi passando naturalmente de geração a geração. Não é à toa que comida caiçara é tão boa!

Se você gosta do riscado pode ser que já saiba escolher e lidar com peixes. Pode ser que consiga comprá-los fresquíssimos, ou até pescá-los deliciando-se com peixes de ótima qualidade com certa frequência, mas nem todos tem este privilégio e talvez não tenham tanta experiência.

O peixe é um dos mais importantes ingredientes da cozinha caiçara e me parece que cabe aqui um olhar mais técnico sobre este fantástico alimento.

CONHEÇA UM BOM PEIXEIRO E FIQUE DE OLHO

Avaliar seu fornecedor ou o mercado onde você vai buscar seus peixes é essencial. Um bom peixeiro deve manusear, refrigerar e expor de modo adequado os peixes, além de ter condições de responder a qualquer pergunta sobre a origem e as qualidades do produto, por exemplo, ele deve saber se o peixe é magro ou gordo, tem uma textura firme ou delicada, se é ideal para cozinhar, assar, grelhar ou fritar. Alguns podem te passar uma dica, uma receita, uma curiosidade sobre o peixe, como o pescam, entre outras coisas. Enquanto ele está preparando seu peixe bata um papo com ele, você pode aprender muito. Geralmente peixeiros são pessoas interessantes e conhecem bastante o que vendem.

FORMAS DE COMERCIALIZAÇÃO DOS PEIXES

Os peixes podem ser comprados frescos em uma das formas descritas abaixo, ou congelados (que só utilizo em último caso), salgados (secos), defumados e até em conservas.

  • Inteiro, como foi pescado completamente intacto.
Robalo - Centropomus Undecimalis
  • Com as vísceras (barrigada) removidas, mas com cabeça, barbatanas e escamas intactas.
  • Com a barrigada e cabeça removidas, mas com as barbatanas e escamas intactas.
  • Eviscerado, com a barrigada, as guelras, escamas e barbatanas removidas. A cabeça pode ter sido removida ou não.
  • Em posta. Um corte das costas até a barriga do peixe gerando uma fatia.
Crédito da Foto: Foodcollection
  • Filé. É um pedaço retirado de cada lado do peixe sem a espinha dorsal. A pele pode, ou não, ser retirada antes do preparo. Preste atenção... às vezes querem nos vender filés ainda com a espinha pelo mesmo preço do sem espinha. Se liga aí!
Crédito da Foto: Foodcollection

Existem outros cortes que não cabem aqui, mas vale a pela citá-los como o Tranche que é um pedaço de um filé grande cortado em um ângulo de 45° para expor uma superfície maior, e o Pavé que é uma porção quadrada de um filé grande.

VERIFICANDO SE OS PEIXES ESTÃO FRESCOS

A não ser que você mesmo tenha tirado o bicho da água, ou confie muito no seu fornecedor, como disse, é bom verificar a qualidade do peixe que está comprando. Use um tempinho para inspecionar o peixe com cuidado, vale a pena! Verifique se ocorrem, na maior quantidade possível, os seguintes sinais de frescor:

  • Primeiro o peixe deve estar armazenado a uma temperatura entorno de 4°C. Como você não anda por aí com um termômetro, pelo menos espero, saiba que isso é bem gelado. Uma geladeira comum fica entre 2°C e 8°C.
  • O peixe deve ter boa aparência geral, sem lodo, areia, cortes ou machucados e com barbatanas flexíveis.
Crédito da Foto: Catea Cristina
  • As escamas devem estar firmes no peixe.
  • A carne deve responder a uma leve pressão (estar consistente), e não deve ser muito macia.
  • Os olhos devem estar claros, brilhantes e salientes.
  • As guelras devem apresentar uma cor rosa brilhante e avermelhada, e se houver muco, este deve ser transparente.
Crédito da Foto: Menestrel do Maranhão
  • Não deve haver marcas na barriga – evidência de que as vísceras foram deixadas no peixe tempo demais e o processo de decomposição foi acelerado.
  • O cheiro deve ser limpo e marinho. Deve cheirar como água do mar limpa. Muito bom!
  • Para os filés prefira comprar o peixe eviscerado pedindo para que façam os filés. Se não der, escolha os filés que não estão em contato direto com o gelo, pois o derretimento do gelo altera a textura e sabor do peixe.

O PEIXE CONGELADO

Eu particularmente uso peixes ou qualquer fruto do mar congelado somente em último caso e mesmo assim escolhendo bastante. Ao comprar peixes congelados você está pagando bem caro por muita água, um certa química, aquela textura estranha e pouco sabor. Segundo a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor podemos encontrar até 35% mais água do que o permitido nos peixes congelados.



Os peixes congelados são repetidamente cobertos com água e congelados, de um modo que forma uma camada de gelo envolvendo o peixe inteiro. Os peixes que passam por este processo e são congelados de forma rápida e individual são identificados como IQF (Individually Quick Frozen).


Sistema de Congelamento IQF
Muitos peixes e filés congelados são tratados com Tripolifosfato de Sódio (STPP) para que retenham mais água ainda. É ai que mora o perigo, o peixe vira praticamente uma esponja. Você já usou um peixe congelado que parecia estar ensaboado, ou que o líquido do peixe parecia um detergente ralo? Então, esse é o tal STPP.

Se não tiver outra opção, de jeito nenhum mesmo, só não compre nenhum peixe congelado com a carne esbranquiçada ou com gelo branco nas extremidades, pois isso indica que a carne “queimou” por congelamento, resultado do uso de uma embalagem inadequada ou o descongelamento e recongelamento do produto. Caia fora!
Fonte: Livro Chefe Profissional – Instituto Americano de Culinária – Senac Editoras - 2009

sábado, 19 de novembro de 2011

Tainha Escalada na Brasa


Crédito da Foto: SACA SÓ ISSO... Na Cozinha com Led Zeppelin

Fácil prá caramba| 30 minutos de preparo | 4 porções

INGREDIENTES

1 tainha de 2 kg, ou mais, limpa.
Algumas folhas de alfavaca.
Limão e sal a gosto. Se você achar limão cravo é melhor.

Você vai Precisar

Um braseiro que pode estar em uma churrasqueira, fogueira, ou buraco na areia. Um grelha para peixe.

PREPARO

Já acenda a churrasqueira e deixe formando o braseiro enquanto você prepara o peixe.

Tudo pronto... que beleza! Comece concertando (limpando) a tainha.

Basicão... Tire as escamas, corte as barbatanas e abra a tainha pela barriga. Tire a barrigada, se tiver ovas reserve-as.

Dica: Afervente as ovas antes de fritar para que fiquem firmes, frite-as, tempere com sal e limão e sirva-as como aperitivo, ou não faça nada disso e congele-as para usar outro dia.

Preste atenção... Com uma faca de ponta e afiada comece a cortar entre as espinhas e a carne, até abrir a tainha de ponta a ponta mantendo uma peça única (como na foto). Retire a espinha.

Dica: Use uma tesoura para cortar a espinha perto do rabo e da cabeça do peixe.  Capriche retirando as outras espinhas com a ajuda de uma pinça.

Lave a tainha com cuidado. Salgue o peixe, esprema o limão por cima, espalhe a alfavaca picada bem fina (que você pode substituir por coentro de folha larga ou usar os dois juntos). Espalhe com a mão o tempero com cuidado sobre o peixe e deixe descansar uns 20 minutos.

Asse na churrasqueira, com o braseiro médio, de 15 a 20 minutos. A ideia é dourar a tainha deixando-a dourada, crocante por fora e molhadinha por dentro.

Dica: Comece assando a tainha com o lado da pele virado para baixo e vá virando até dourar. É aqui que você vai achar maravilhoso ter conseguido essa grelha para peixe.

Crédito da FotoHeiko Grabolle - Chefe Alemão

Outra Versão: Em Bertioga eles preparam essa tainha na chapa. Depois de temperá-la eles passam a tainha na farinha de trigo, besuntam a chapa com azeite ou manteiga e colocam-na para dourar. Fica muito bom também. Se você arrumar uns paratis dá para prepará-los assim em uma frigideira grande. Inventa aí e bom apetite!

Sirva com limões cortados em 4, uma salada, arroz branco e, se quiser um feijãozinho e uma farofinha.

Divirta-se!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O Surpreendente Azul Marinho

Crédito da FotoViagem e Sabor

Viva a Herança Gastronômica!

O Caiçara absorveu muito da cultura indígena como o hábito de utilizar a banana em sua alimentação. O curioso e delicioso Azul Marinho nasceu da necessidade de se alimentar bem e da abundância dos ingredientes utilizados em seu preparo. O prato é um clássico da Cozinha Caiçara apreciadíssimo dentro e fora das regiões caiçaras tradicionais e é um dos bons exemplos da criatividade e da capacidade do Caiçara em utilizar tudo que tem disponível em seu entorno para desenvolver uma culinária autentica e saborosíssima. 


Dificuldade média | 1 hora de preparo | 4 porções

INGREDIENTES

1 kg de um peixe salgado/seco (tainha, bagre, etc.) ou de um peixe fresco e firme como garouparobalo ou pescada amarela cortado em postas largas de cerca de 3 cm.
5 bananas nanicas ou da terra bem verdes.
2 colheres de sopa de azeite.
½ xícara de chá de cebola picada.
3 dentes de alho picados.
1 xícara de tomate sem pele e sem sementes cortados grosseiramente.
2 colheres de sopa de coentro picado. Se tiver, prefira sempre o coentro de folha.
2 colheres de sopa de cheiro verde picado.
10 folhas de alfavaca.
¼ de xícara de farinha de mandioca.
Sal a gosto.
Pimenta malagueta ou aquela que você tem aí, a gosto.

Dica 1: Se você quiser incrementar pode acrescentar 400 g de camarão.
Dica 2: Se for utilizar peixe seco/salgado, fica a dica do nosso amigo Cesar "Periquito": - "...O peixe seco era a base da alimentação dos pescadores por conta da ausência de gelo nos tempos passados e o que dá o toque é o processamento da "secura" do peixe. Se o peixe for um bagre seco fica melhor ainda e mais azul..." 

Você vai Precisar

1 Panela de ferro grande com tampa.

NotaVocê também pode fazer o Azul Marinho em uma panela de barro, mas há que diga que o verdadeiro Azul Marinho é feito em panela de ferro, pois propicia a formação de mais pigmentos azulados, já que os taninos se ligam fortemente aos derivados do ferro.

PREPARO

Tempere o peixe com sal e reserve.

Descasque a bananas e corte-as de comprido, ao meio. Alguns preferem manter as bananas com a casca e cozinhá-las cortadas em quatro, no sentido do comprimento e depois na metade. Defendem que são as cascas que liberam mais tanino aumentam assim a coloração azulada que dá o nome ao prato.

Dica: Se descascar as bananas, coloque-as de molho em água fria para que não escureçam. Se não for descascar, lave bem as bananas.

Coloque a panela de ferro no fogo e aqueça o azeite. Refogue a cebola e o alho. Junte os tomates, adicione o sal e metade do coentro. Misture bem.

Fazendo o Azul Brotar das Bananas Verdes

Retire as bananas da água fria, acrescente-as ao refogado e cubra tudo com a água onde estavam as bananas. Verifique o sal e cozinhe até as bananas ficarem macias. Retire as bananas da panela e reserve-as.

NotaO caldo do peixe, bem como todos os componentes do cozido, apresentam um tom azulado, por conta da banana verde. Neste estágio, a banana é rica em uma substância chamada tanino. O tanino, ao ser liberado durante o cozimento se associa às proteínas do peixe formando um composto de cor azul.

Preparando o Peixe

Se você está utilizando o peixe seco/salgado. Dessalgue-o com antecedência. Se estive usando peixe fresco, coloque as postas de peixe na panela e, se estiver meio seco, adicione mais de água. Junte metade do cheiro verde, as folhas de alfavaca e cozinhe por uns 10 minutos ou até o peixe ficar macio. Separe os peixes e o caldo do cozimento e reserve-os em vasilhas separadas mantendo, principalmente o peixe, aquecido.

Nota: Pode parecer que separar as partes principais (banana, peixe e caldo) do prato é trabalhoso e até desnecessário, mas talvez não seja. O peixe e a banana tem tempos diferentes de cozimento e, ainda por cima, este tempo varia conforme o tipo de peixe utilizado, a espessura da posta, o tamanho e o quão verde está a banana. Sendo assim, se forem preparados juntos, eles correm o risco de cozinharem demais ou de menos e a coisa toda desandar, por exemplo, a banana ficar dura e o peixe desmanchar.

Com mais prática você saberá avaliar os ingredientes e saber o momento certo de acrescentar o peixe e a banana para cozinharem juntos, podendo fazer este prato numa toada só e terminar o cozimento correto dos dois ao mesmo tempo. Quase um estado de arte, mas chegaremos todos lá!

Fazendo o Pirão


Crédito da Foto: Receitas IG

Com um garfo amasse a maioria das bananas na panela (guarde algumas para a montagem final do prato) e vá acrescentando parte do caldo do cozimento do peixe (guarde um tanto de caldo para a montagem final do prato) até conseguir um pirão cremoso. Adicione o restante do coentro e do cheiro verde e misture. Leve a panela ao fogo e vá acrescentando a farinha de mandioca aos poucos, mexendo sempre para não empelotar e para não grudar no fundo da panela, até conseguir uma consistência um pouco mais mole do que você gosta (leia a dica abaixo). Retire do fogo e corrija o sal.

Dica: A farinha de mandioca continua absorvendo o líquido mesmo depois de você ter finalizado o pirão deixando-o um pouco mais consistente.

Montando o Prato

Em uma travessa ou panela de barro, coloque o pirão, cubra-o com as postas de peixe, junte as bananas restantes (corte-as em pedações ou coloque-as inteiras, você é quem manda) e acrescente o restante do caldo. Está pronto!

Sirva com arroz branco e aquela sua pimentinha!

Divirta-se!
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